Associações representativas dos banespianos notificam extrajudicialmente Presidente e diretor de marketing do Santander

Causou indignação e repúdio as observações do diretor de marketing do Santander, Igor Puga, postada em um grupo de WhatsApp no dia 16 de maio, que ganhou espaço na Coluna Painel S.A da Folha de S.Paulo na última terça-feira, dia 19, com o título “Tem gente que quer ser mandada embora do Santander, diz diretor do banco.”

Em razão disso as Associações representativas dos banespianos entregaram uma notificação extrajudicial ao Presidente do Santander, com cópia para o Diretor de Marketing, solicitando esclarecimentos sobre as declarações.

Abaixo reproduzimos a notificação.

São Paulo, 21 de maio de 2020.

À Presidência do

BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A.
na pessoa do Sr. Sérgio Agapito Lires Rial

Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 2041 e 2235,

Bloco A, Vila Olímpia, São Paulo/SP, CEP 04543-011

 com cópia para:

Sr. Igor Puga – Diretor de Marketing do Banco Santander

no mesmo endereço supracitado.  

NOTIFICAÇÃO EXTRAJUDICIAL

Pela presente, as entidades:- 

ASSOCIAÇÃO DOS FUNCIONÁRIOS DO GRUPO SANTANDER BANESPA BANESPREV E CABESP – AFUBESP;

ASSOCIAÇÃO DOS FUNCIONÁRIOS APOSENTADOS DO BANCO DO ESTADO DE SÃO PAULO  – AFABESP; e    

ASSOCIAÇÃO DE DEFESA DE DIREITOS PREVIDENCIÁRIOS DOS BANESPIANOS – ABESPREV, 

representando neste ato seus milhares de associados e familiares, vem NOTIFICÁ-LOS pelas razões a seguir expostas:

Estas Associações ora Notificantes, receberam nesta semana, inúmeras reclamações de indignação de seus associados pela noticia veiculada no jornal de maior circulação do País, a Folha de São Paulo, a saber:

Tem gente que quer ser mandada embora do Santander, diz diretor do banco

Segundo Igor Puga, diretor de marketing, há interesse em indenização; o Santander diz que não comenta opinião pessoal 

Em meio à insatisfação de funcionários que não querem voltar ao trabalho presencial na sede do Santander durante a pandemia, o diretor de marketing do banco, Igor Puga, disse que está acontecendo um “efeito sindical”. (grifamos)

A gente, ainda compulsoriamente, tem um histórico de muita gente que é ex-Banespa, ex-Banco Real, que infelizmente é oportunista neste aspecto, porque quer ser mandado embora, porque tem uma indenização enorme. Tanto que o sindicato está forçando a barra em relação a essa situação”, disse o executivo em um grupo de WhatsApp no sábado (16). (grifamos)

Segundo Puga, o Santander convocou recentemente apenas uma pequena parcela de seus profissionais que hoje fazem trabalho remoto para que eles substituam as pessoas que estão atuando sem folga no regime presencial. Ele afirma que estão no escritório só 300 dos 6.000 funcionários da sede, ou seja, 5% do total.

“Dado que muitas dessas pessoas estão exaustas e absolutamente esgotadas porque estão trabalhando em um regime de mutirão e esforço pleno nestes 60 dias continuamente, muitas vezes nem tendo final de semana em algumas das operações que eu mencionei, principalmente de segurança de informação e de TI, houve um chamamento para que parte dos subordinados diretos desses viessem ao retorno para que esses pudessem descansar um pouco. Então, não é gente voltando a trabalhar. É um rodízio para dar pelo menos um fôlego, um descanso”, diz o executivo.

Procurado pela coluna, Puga não se manifestou. O banco disse em comunicado que “não comenta opiniões e comentários feitos em âmbito privado por qualquer um de seus colaboradores”. No áudio, que o diretor publicou em um grupo de WhatsApp com 229 pessoas, ele se apresenta como diretor do banco e diz que Sergio Rial, o presidente da instituição, é seu chefe direto. (grifamos)

O comunicado do Santander diz também que a média de funcionários em trabalho presencial em seus prédios administrativos nas últimas semanas está em 20%.

Puga menciona no áudio uma reportagem da Folha sobre as reclamações dos funcionários que querem trabalhar em home office durante a pandemia. Ele diz que “é um absurdo uma crise deste tamanho estar na Folha“, porque o banco tem 50 mil funcionários, mas o problema abrange apenas 5% deles, conforme o relato do executivo, que não foi confirmado pela instituição.

“É um pouco injusto. Não é correto. Inclusive, o repórter da Folha foi convidado a visitar as dependências da nossa torre”, disse Puga.

Painel S.A.

Jornalista, Joana Cunha é formada em administração de empresas pela FGV-SP. Foi repórter de Mercado e correspondente da Folha em NY.

Diante da supracitada notícia de caráter extremamente ofensivo aos trabalhadores do Banco Santander, quer ora na ativa, aposentados, ex-banespianos e ex-banco Real, estas Associações como entidades de representação destes trabalhadores, incrédulas com o fato, assinalam ainda o seguinte:

Os trabalhadores desta Instituição financeira, sensíveis a atual situação sanitária mundial, respeitando o entendimento técnico da Organização Mundial da Saúde, entes públicos estaduais e municipais, bem como, as sociedades médicas do País, estão respeitando as regras de distanciamento social, todavia, em nenhum momento se recusaram a voltar ao trabalho durante a pandemia, tanto é que todas as empresas do conglomerado estão em atividade.

Da mesma forma, refuta-se de forma  veemente que os funcionários ora chamados de ex-Banespa ou  ex-Banco Real, trabalhadores estes que ajudaram a construir com muito esforço e suor o que é hoje o Banco Santander Brasil, não podem ouvir de forma calada que são OPORTUNISTAS que querem ser mandados embora porque tem um indenização enorme para receber, o que caracterizaria total falta de caráter destes funcionários, que não podem ter desta forma maculada suas imagens.

Assim, diante deste incidente de potencial altamente ofensivo os trabalhadores experimentaram situação constrangedora, angustiante, tendo sua moral abalada, passíveis inclusive de pedidos de indenização por danos morais como preceitua o inciso X do artigo 5º da nossa Constituição.

No mesmo sentido, conforme a Legislação em vigor, inobstante o fato da livre manifestação do pensamento por qualquer meio, responde cada um nos termos da Lei pelos abusos e prejuízos que cometerem.

Desta forma, diante de todo o articulado, serve a presente para NOTIFICÁ-LOS, para:

1-que o notificado Presidente do BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. – Sr. Sérgio Agapito Lires Rial, informe se o posicionamento do Sr. Igor Puga reflete a posição e entendimento da Instituição Financeira – Banco Santander Brasil, e caso não reflita, que o esclarecimento seja publicado no mesmo veículo com igual destaque; 

2-que o Presidente do BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. – Sr. Sérgio Agapito Lires Rial e o Diretor de Marketing do Banco Santander (BRASIL) S.A.  – Sr. Igor Puga, ambos notificados, apresentem retratação espontânea e cabal com o devido pedido de desculpas aos funcionários ora citados, devendo a mesma ser publicada no mesmo veículo de informação com o mesmo espaço da matéria original, como medida de reparação pelo danos causados a imagem dos trabalhadores, sob pena de serem tomadas todas as medidas cabíveis, por ser de justiça.

Sem mais atenciosamente,

ASSOCIAÇÃO DOS FUNCIONÁRIOS DO GRUPO SANTANDER BANESPA BANESPREV E CABESP – AFUBESP

ASSOCIAÇÃO DOS FUNCIONÁRIOS APOSENTADOS DO BANCO DO ESTADO DE SÃO PAULO  – AFABESP

ASSOCIAÇÃO DE DEFESA DE DIREITOS PREVIDENCIÁRIOS DOS BANESPIANOS – ABESPREV

Notificação entregue

 

 

Veja a matéria da Folha de São Paulo