Avaliação da retina é obrigatória para paciente diabético

Já havia entrevistado o oftalmologista Magno Antonio Ferreira no começo do ano, quando ele falou da degeneração macular relacionada à idade, ou DMRI, a principal causa de perda de visão em pessoas acima dos 50 anos. Desta vez, o assunto acabou sendo o diabetes, que avalia como “uma verdadeira epidemia” e que, no que diz respeito a seu campo de estudo, especificamente a área da retina, é a causa mais comum de perda irreversível de visão.

O doutor Magno é professor associado da Universidade Federal de Uberlândia e presidente da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo. Na semana passada participou, em São Paulo, do Beyond 2019, evento cujo objetivo era discutir as novas tecnologias e medicamentos nessa área, com melhores resultados e menos efeitos colaterais.

O problema do diabetes é que cerca de 8% da população tem a doença e estima-se que 40% desconheçam isso. “A retinopatia diabética afeta um terço desse total e, desse grupo, um terço apresentará um quadro de edema macular, causa da cegueira”, afirma o oftalmologista. “O risco vai aumentando com o passar do tempo se não houver controle dos níveis glicêmicos”, acrescenta.

O aumento do número de casos está fortemente relacionado ao sedentarismo e a maus hábitos alimentares, como o consumo de carboidratos e alimentos ultraprocessados, com o agravante de ser uma doença pouco sintomática. “O diabetes tipo 1, que acomete pessoas mais jovens, tem um determinante genético; já o tipo 2 está atrelado ao estilo de vida”, enfatiza o médico.

A forma de evitar a retinopatia diabética, que provoca hemorragias no olho, é o controle da glicemia, da pressão arterial e de outros fatores de risco sob supervisão médica. “Utilizamos uma regra básica para os pacientes diabéticos. Se for portador do diabetes tipo 1, torna-se obrigatório que, até cinco anos depois do diagnóstico, ele faça o exame de fundo de olho, que detectará alterações da retina. No entanto, se o caso for de tipo 2, o exame deve ser feito imediatamente, porque não é possível precisar há quanto tempo a pessoa já tem a doença e que danos podem ter sido causados”, ensina o doutor Magno.(G1)