Campos Neto, diretor do Santander, vai presidir o Banco Central de Bolsonaro

 

 

O Governo de Jair Bolsonaro (PSL) definiu nesta quinta-feira mais dois nomes para a área econômica. O presidente do Banco Central será o economista Roberto Campos Neto, atual diretor do banco Santander. E o economista Mansueto Almeida aceitou o convite para permanecer na Secretaria do Tesouro Nacional. As informações foram reveladas pelo jornal Valor Econômico no início da tarde e confirmadas ao longo do dia pela assessoria de imprensa do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes. Em janeiro, nome de Campos Neto será levado ao Senado, que terá a incumbência de aprová-lo ou não. Até lá, a diretoria da instituição permanece como está.

Até o início desta semana havia a previsão de que o atual presidente do BC, Ilan Goldfajn, seguiria na função, mas ele teria dito a Guedes que não teria interesse em ficar na função por razões familiares. Tanto Guedes como Goldfajn defendem a autonomia do Banco Central e essa será uma das metas de Bolsonaro junto ao Congresso Nacional já no início de sua gestão. A expectativa é que Campos Neto também siga essa cartilha. Já tramita no Senado um projeto defendido pelo futuro chefe da economia que prevê que o mandato da diretoria do BC seja fixo e não coincidente com o do presidente da República. Além disso, a política monetária que passaria a se preocupar com o controle da inflação, o crescimento econômico e a geração de empregos. O modelo é semelhante ao do Federal Reserve, que é o Banco Central dos Estados Unidos.

A escolha pelo profissional do Santander tem seguido um método característico de Bolsonaro. Primeiro, lança alguns balões de ensaio. Sente qual será a recepção junto ao meio político e econômico. Depois, anuncia como se nunca tivesse havido outro candidato ao cargo. Isso ocorreu em ao menos quatro ministérios divulgados recentemente: Ciência e Tecnologia, Agricultura, Defesa e Relações Exteriores. Os outros três ministérios que já tiveram suas indicações oficializadas – Economia, Casa Civil e Justiça – não foram alvo dessa estratégia. Os dois primeiros já tinham os nomes definidos durante a campanha, Guedes e Onyx Lorenzoni. Já para a Justiça, a escolha por Sérgio Moro surpreendeu até a parte do núcleo duro de presidente eleito.

Campos Neto é reconhecido como um profissional com perfil técnico. É o atual responsável pela Tesouraria do Santander. É especialista em finanças pela Universidade da Califórnia. Está no banco espanhol há quase 18 anos. O economista é neto de Roberto Campos, um economista liberal que foi ministro do Planejamento durante o regime militar brasileiro, na gestão Castelo Branco.

Já Mansueto Almeida está no Tesouro Nacional desde o início de 2018. Já ocupou funções públicas no Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA) e no próprio Ministério da Fazenda. Doutor em políticas públicas é uma das principais referências entre os economistas liberais brasileiros.(El País)