Comportamento dos investimentos

Outubro será de volatilidade no dólar e no Ibovespa com as eleições gerais

No acumulado de nove meses do ano, os fundos cambiais registraram captação líquida de R$ 1,4 bilhão, sinal de que investidores pessoas físicas buscaram se proteger da desvalorização do real

O mês de outubro será marcado pela volatilidade dos ativos financeiros, com o dólar e o Ibovespa alternando sinais positivos e negativos a depender do quadro eleitoral. Mas, segundo especialistas em investimentos, passado o segundo turno, a definição do novo governo tende a reduzir as incertezas, e o dólar – principal indicador de risco da economia – deverá recuar para um patamar mais comportado, abaixo dos R$ 4. “Qualquer um que ganhar as eleições terá que fazer algum tipo de reforma para animar a economia. Talvez até o Fernando Haddad (PT), pela esquerda, faça um movimento para não afugentar o mercado”, disse o administrador de investimentos independente, Fabio Colombo. Em setembro, o aporte em ações da bolsa de valores brasileira foi considerado o melhor investimento. O Ibovespa fechou aos 79.342 pontos, uma alta de 3,5% em relação a agosto. No ano até sexta-feira, o índice da B3 acumula ganho de 3,85%. “Em parte teve um pouco de recuperação das perdas de agosto; os investidores estrangeiros estão avaliando que a bolsa brasileira está muito barata”, diz o administrador. Ao se considerar os riscos elevados de volatilidade e as atuais incertezas políticas, o aporte em ações é considerado oportuno em outubro para investidores com perfil arrojado e horizonte de longo prazo. “Em termos estatísticos, a projeção para os próximos 12 meses, com nível de 95% de confiança, volatilidade recente e inflação projetada, é um ponto médio de 115 mil pontos (alta de 44%) para o Índice Bovespa e mínimo de 63 mil pontos (queda de 21%)”, calculou Fabio Colombo.Na ponta contrária, o dólar Ptax (média do BC) encerrou em baixa de 3,17%, cotado em R$ 4,0039 e o euro mostrou queda de 2,95% para o valor de R$ 4,6545 (Ptax). “O cenário internacional ajudou”, observou. Mas, no acumulado de nove meses de 2018, o dólar mostra ganhos de 21%, e o euro, de 17,6%. “O dólar futuro é muito movimentado na B3, com empresas fazendo proteção (hedge) das oscilações de preços. Já o dólar e euro físico são mais uma forma de poupança para quem vai viajar para o exterior, não é exatamente um investimento financeiro”, argumenta o diretor de câmbio da Ourominas, Mauriciano Cavalcante. Ainda na família de produtos financeiros relacionados às moedas fortes, os fundos cambiais mostraram rentabilidade bruta de 25,48% no ano até 24 de setembro último; e os fundos multimercados de investimento no exterior tiveram valorização de 10,35% em igual base de comparação, de acordo com dados consolidados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Na visão do Cavalcante, para o investidor pessoa física, o aporte em ouro físico gerou ganhos mais consistentes no acumulado do ano. “O ouro está em crescimento de vendas e de retorno”, afirmou o diretor. Desde o início de 2018, a cotação do metal dourado evoluiu 13,8%, de R$ 135,30 o grama para R$ 154 o grama, na última sexta-feira. “As vendas de barras em cartões – 1,2,5,7, 10 ou 25 gramas – são mais populares, e a recompra é garantida no balcão da corretora, quando o cliente guarda a nota fiscal”, contou Cavalcante. Vale citar que a cotação do ouro também é influenciada pelo cenário internacional, porque a principal referência para os preços do metal é estabelecida pelas bolsas americanas. A cotação do ouro em Nova York fechou na sexta-feira em US$ 1.196,2 por onça-troy, o equivalente a 31,1 gramas. Estratégia de travessia A consultora de investimentos da Órama, Sandra Blanco, também considera que este mês será de bastante volatilidade no mercado local e aconselha cautela ao investidor de perfil moderado. Na prática, o aplicador deve preservar seus recursos na liquidez diária do Tesouro Selic, por exemplo, e aguardar até a definição final do segundo turno das eleições presidenciais. “Talvez possa perder uma primeira pernada [de valorização], mas é melhor esperar um pouco antes de entrar em produtos que ofereçam um retorno maior como multimercados e fundos de ações”, afirmou. Ela contou que o mês de setembro foi positivo para os aplicadores na bolsa de valores e em fundos de renda fixa. “O DI para 2025 recuou de 12,5% ao ano para 12% e gerou algum prêmio nas carteiras”, disse. Na visão dela, o mercado está enxergando oportunidades na bolsa de valores e as pesquisas eleitorais deram uma “esclarecida nos agentes” com os gestores mais otimistas, embora a volatilidade possa estar presente em outubro. “Passadas as eleições, seja qual for o candidato vencedor, o cenário será outro”, apontou. Por outro lado, Sandra relatou que “os muito pessimistas” perderam dinheiro com posições em dólar. “As carteiras balanceadas tiveram mais ganhos”, diferencia a consultora. Entre os destaques da renda fixa, os fundos de duração alta e grau de investimento registraram rentabilidade bruta de 7,06% no ano até 24 de setembro; enquanto os multimercados da subcategoria livre mostraram ganhos de 6,55% em igual base de comparação  (Ernani Fagundes – Panorama Brasil)