INSS só corrige cadastro na hora da aposentadoria

O trabalhador não é o responsável pela prestação de informações no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e também não consegue mais corrigir os dados quando identifica um erro. Na prática, isso pode levar a uma espera ainda maior pela concessão do benefício. Atualmente, a única chance de ajustar o cadastro é no pedido de aposentadoria.

O Cnis (Cadastro Nacional de Informações Sociais) é o documento mais importante para os benefícios previdenciários, pois é por meio dele que o INSS apura a média salarial e define se o segurado tem ou não o tempo mínimo de contribuições exigidas.

Nesse momento de discussão de uma nova reforma da Previdência, a situação fica ainda mais crítica, pois tradicionalmente mais pedidos são apresentados nesses momentos. Em janeiro deste ano, a alta foi de quase 30%.

Oficialmente, o INSS não respondeu. Técnicos do instituto, porém, apontam uma dificuldade técnica do sistema. O bloqueio buscaria evitar a repetição do trabalho de correção no cadastro.

A falha começa no sistema que alimenta o Cnis. Esse extrato de contribuições é alimentado por diversos sistemas, sendo o principal deles a Gfip (guia de recolhimento). Esse sistema pode ser atualizado pelas empresas e, com isso, sempre que uma dessas bases de dados é alterada, o Cnis também muda. Portanto, um cadastro que já estava corrigido pode exigir novo ajuste no futuro.

Um Cnis que tenha sido corrigido manualmente depois que um segurado buscou o INSS pode perder esse ajuste se a empresa em que ele trabalhou atualizar a Gfip de seus funcionários.

Papelada em dia

Essa instabilidade dos dados do sistema torna ainda mais importante a guarda de documentos de cada emprego pelo qual o trabalhador passou. Contratos, distratos, recibos, holerites e mesmo comunicações internas devem ser guardadas pois poderão ser úteis no futuro, para comprovar vínculos e salários. Quem está prestes a fazer o pedido deve manter a papelada em dia e apresentá-la com o pedido. (Agora São Paulo)