Investimento: a vida do investidor conservador vai ficar mais difícil

Há exatos vinte anos (19/01/1998), a taxa DI ou o CDI como é comumente conhecida era de 37,5% ao ano, ou seja, bem superior à taxa DI atual de 6,89% ao ano. Essa taxa de 6,89% ao ano equivale a um retorno médio de 0,56% ao mês, ou seja, um investimento de R$100 mil renderá apenas R$560 por mês. Muitos investidores ainda não se deram conta que essa queda dos juros terá um reflexo significativo em suas vidas.
A taxa DI serve para referenciar uma grande parte dos produtos que os investidores aplicam, por exemplo, CDBs, LCIs, LCAs e fundos de renda fixa. Esses produtos são utilizados principalmente pelos investidores conservadores.

Em quanto tempo dobra o capital investido?
No passado, mesmo para o investidor agressivo compensava manter o capital com baixo risco, pois com o patamar dos juros, em poucos anos você dobrava o capital investido. Há um ano atrás, a taxa DI era quase o dobro da atual. Naquele momento, com a taxa de 12,88% ao ano, o investidor dobrava o capital investido em menos de seis anos. Com o CDI no patamar previsto para o final de fevereiro, o investidor que aplica em títulos referenciados ao CDI vai demorar quase onze anos para dobrar o valor investido. Isso quer dizer que se aplicar R$1 mil hoje em um CDB rendendo 6,64% ao ano, somente em 2029 atingirá R$2 mil.

Qual o principal reflexo?
Um dos principais reflexos será na aposentadoria e dois cálculos devem ser revistos. O valor que os investidores estimavam que seria necessário poupar periodicamente para atingir o objetivo de investimentos para se aposentar vai precisar aumentar bastante. Também será necessário rever esse montante alvo no futuro necessário para se aposentar. O efeito disso é que provavelmente você vai precisar trabalhar por mais tempo antes de se aposentar.
Fuja da poupança
A remuneração da poupança também caiu e continua rendendo menos que a taxa DI. Atualmente a poupança rende 4,9% ao ano (0,40% ao mês). Com a queda da taxa Selic no próximo mês, a caderneta também vai render menos e deve cair para 4,73% ao ano (0,39% ao mês). Como comparação, a inflação esperada para 2018 é de cerca de 4,5%. Ou seja, para aqueles que estão na poupança, a vida vai continuar difícil.

O que fazer?
Mesmo o investidor conservador deve rebalancear sua carteira para ter produtos que são considerados de risco e que possuem um potencial de elevar o retorno da carteira, além de produtos com maior carência.
O segredo do conservadorismo é a dose e não o produto. Por exemplo, um investimento de 5% do patrimônio em um fundo de ações pagadoras de dividendos não vai trazer fortes perdas mesmo em cenários adversos. No final do ano, compartilhei dicas de onde investir em 2018. Elevando o prazo de carência, o investidor também vai encontrar produtos com maior retorno. Veja a diferença que isso pode fazer em seu portfólio, lendo o artigo que escrevi.
Os investidores devem começar a se interessar mais pelos seus investimentos para garantir a independência financeira na aposentadoria.

Fonte: Michel Viriato-FSP