Juros do rotativo e do cheque especial ultrapassam os 300%, diz BC

Os juros do rotativo do cartão de crédito e do cheque especial para pessoa física subiram de maio para junho e ultrapassaram os 300%, segundo informações divulgadas pelo Banco Central (BC) nesta sexta, 26.

O juro médio cobrado no rotativo do cartão de crédito – que é uma das taxas mais elevadas avaliadas pelo BC – foi de 299,8% para 300,1% ao ano; e o cheque especial, de 320,9% ao ano para 322,2%.

O aumento das taxas explicam o crescente número de famílias endividadas com o sistema financeiro. Essas famílias viram as concessões de crédito para pessoas físicas diminuírem 7,7%.

Rotativo do cartão

O juro médio cobrado no rotativo do cartão de crédito subiu 0,3 ponto porcentual de maio para junho, conforme o Banco Central. Com isso, a taxa passou de 299,8% para 300,1% ao ano.

A taxa do rotativo regular passou de 279,9% para 277,2% – foram consideradas as operações em que houve o pagamento mínimo da fatura. Já a taxa de juros do rotativo não regular passou de 314% para 316,4% ao ano – a modalidade inclui as operações nas quais o pagamento mínimo da fatura não foi realizado.

No caso do parcelado, o juro passou de 174,1% para 175,6% ao ano.

Considerando a tarifa total do cartão de crédito, que leva em conta operações do rotativo e do parcelado, a taxa passou de 66% para 68,1% de maio para junho.

Em abril de 2017, começou a valer a regra que obriga os bancos a transferir, após um mês, a dívida do rotativo do cartão de crédito para o parcelado, a juros mais baixos. A intenção do governo com a regra era permitir que a taxa de juros para o rotativo do cartão de crédito recuasse, já que o risco de inadimplência, em tese, cai com a migração para o parcelado.

Crédito livre

Já a taxa média de juros no crédito livre caiu de 38,5% ao ano para 38,3% de maio para junho. No mesmo período de 2018, o encargo estava em 38,5% ao ano.

Para pessoa física, a taxa média de juros no crédito livre passou de 52,9% para 53,2% ao ano, enquanto para pessoa jurídica foi de 19,5% para 18,7%.

Entre as principais linhas de crédito livre para a pessoa física, o destaque foi para o cheque especial, cuja taxa subiu de 320,9% ao ano para 322,2%. No crédito pessoal, a taxa passou de 44,4% para 44,3% ao ano.

Desde julho de 2018, os bancos oferecem um parcelamento para dívidas no cheque especial para débitos superiores a R$ 200. A expectativa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) era de que essa migração do cheque especial para linhas mais baratas acelerasse a tendência de queda do juro cobrado ao consumidor, o que não se concretizou. Em junho de 2018, antes do início da nova dinâmica, a taxa do cheque especial estava em 304,9% ao ano.

Os dados divulgados hoje pelo Banco Central mostraram ainda que, para aquisição de veículos, os juros foram de 21,1% ao ano em maio para 20,9% em junho.

A taxa média de juros no crédito total, que inclui operações livres e direcionadas (com recursos da poupança e do BNDES), ficou estável em 25,2% ao ano em junho. Em junho de 2018, estava em 24,6%.

Já o ICC (Indicador de Custo de Crédito) subiu 0,1 ponto porcentual em junho ante maio, aos 21,4% ao ano. O percentual reflete o volume de juros pagos, em reais, por consumidores e empresas no mês, considerando todo o estoque de operações, dividido pelo próprio estoque. Na prática, o indicador reflete a taxa de juros média efetivamente paga pelo brasileiro nas operações de crédito contratadas no passado e ainda em andamento.

Concessões de crédito livre

As concessões no crédito livre caíram 4,9% em junho ante maio, para R$ 311,2 bilhões. Houve avanço de 12,6% em 12 meses até junho.

No crédito para pessoas físicas, as concessões caíram 7,7% em junho ante maio, para R$ 168,2 bilhões. Em 12 meses até junho, houve alta de 12,3%.

Já no caso de pessoas jurídicas, as concessões caíram 1,4% em junho ante maio, para R$ 143 bilhões. Em 12 meses até junho, o avanço foi de 12,9%.

Famílias endividadas

O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro ficou em 44% em maio, ante 43,7% em abril, de acordo com o Banco Central.

O cálculo do BC leva em conta o total das dívidas dividido pela renda no período de 12 meses. Além disso, incorpora os dados da Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar (Pnad) contínua e da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), ambas do IBGE.

Se forem descontadas as dívidas imobiliárias, o endividamento ficou em 25,4% em maio, ante 25,1% em abril. Segundo o BC, o comprometimento de renda das famílias com o Sistema Financeiro Nacional (SFN) atingiu 20,3% em maio, ante 20,2% em abril. Descontados os empréstimos imobiliários, o comprometimento da renda ficou em 17,9% em maio, ante 17,8% em abril.

O crédito para habitação oferecido para pessoas físicas diminuiu 0,7% em junho ante maio, totalizando R$ 615,119 bilhões. Mas, ao analisar o período de 12 meses até junho, o crédito para habitação no segmento pessoa física subiu 5,6%.

Já o estoque de operações de crédito livre para compra de veículos por pessoa física avançou 1,2% em junho ante maio, para R$ 183,859 bilhões. Em 12 meses, houve alta de 16,6%. (Estadão)