Mínimo 2021 fica abaixo da inflação e tem vários impactos

Sem reajuste proporcional, cidadão passa a gastar mais e receber menos em meio aos gastos com despesas básicas, como alimentação, saúde e educação.
Recentemente, o governo federal confirmou os indicadores do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Conforme o balanço de 2020, houve uma alta de 5,45% no percentual, que é utilizado para definir o limite do salário mínimo, estabelecido a partir de janeiro em R$ 1.100 – um aumento de R$ 55 em comparação aos R$ 1.045 anteriores.
A definição do piso nacional de cada ano impacta não somente o valor repassado ao trabalhador, mas também para quem recebe outros benefícios federais, como INSS, seguro-desemprego, abono salarial, BPC e mais. Nestes casos, se a média ficar abaixo a inflação, o poder de compra e venda da população acaba sendo afetada.
Novo salário mínimo sem ganho real
Mesmo com o reajuste no valor do piso nacional, o indicador apresentado pelo INPC não representa necessariamente um ganho real para os brasileiros, apenas a manutenção do poder de compra. O motivo está na falta de reposição total da inflação registrada no ano passado.
Sendo assim, o cidadão passa a gastar mais e receber menos em meio aos gastos com despesas básicas, como alimentação, saúde e educação, por exemplo. A correção do novo salário mínimo ficou a cargo do Ministério da Economia, que tinha inicialmente projeção do INPC a 5,26%.
Seguindo os atuais indicadores, o mínimo atual deveria ser de R$ 1.101,95, ficando assim de forma equiparada à inflação.
O Orçamento 2021, que ainda não foi aprovado no Congresso, aguarda análise pelos parlamentares. Contudo, segundo o secretário especial da Fazenda, não deverão surgir novas modificações que alterem as regras relacionadas às despesas públicas para este ano.
A votação do documento é um passo importante para a definição do piso nacional. Isso porque, a cada R$ 1 a mais no salário mínimo, é gerado um gasto extra de R$ 351,1 milhões nos cofres públicos. Dado o aumento de R$ 55, o custo adicional será de R$ 19,3 bilhões para o custeio das folhas do INSS, seguro-desemprego e abono salarial.    (Renato Soares – ECB)