Fundos de pensão podem chegar a R$ 1,51 trilhão em ativos em 2026
Patrimônio das entidades fechadas de previdência complementar cresceu 82% em dez anos; projeção da Abrapp prevê resultado positivo de R$ 33 bilhões no ano
Os ativos dos fundos de pensão brasileiros chegaram a R$ 1,438 trilhão em junho de 2026, alta nominal de cerca de 82% em dez anos. O patrimônio das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) passou de R$ 790 bilhões em 2016 para um volume equivalente a aproximadamente 11% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Para o encerramento deste ano, a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) projeta que os ativos alcancem R$ 1,51 trilhão. No cenário de referência da entidade, a rentabilidade estimada é de 14%, com uma diferença positiva de aproximadamente R$ 33 bilhões entre superávits e déficits dos planos.
A evolução dos ativos ocorreu de forma contínua ao longo da última década. O patrimônio chegou a R$ 1,049 trilhão em 2020, R$ 1,176 trilhão em 2022, R$ 1,275 trilhão em 2024 e R$ 1,374 trilhão em 2025, antes de atingir R$ 1,438 trilhão em junho deste ano.
Segundo o diretor-presidente da Abrapp, Devanir Silva, o crescimento reforça a dimensão econômica da previdência complementar fechada e a responsabilidade do setor de ampliar a cobertura previdenciária no país.
Renda fixa concentra investimentos
Em junho de 2026, a carteira de investimentos das entidades somava R$ 1,362 trilhão. A renda fixa concentrava 86,1% desse total, equivalente a R$ 1,173 trilhão. A participação era de 85,2% no fim de 2025, 82,9% em 2024 e 75,7% em 2021.
Do montante aplicado em renda fixa, R$ 264,1 bilhões estavam em títulos públicos e R$ 900,7 bilhões em fundos de investimentos classificados nesse segmento.
Já a participação da renda variável caiu de 15,8% da carteira em 2021 para 6,7% em junho de 2026. Ao final do primeiro semestre, os investimentos nessa classe somavam R$ 91,3 bilhões, dos quais R$ 55,7 bilhões estavam aplicados diretamente em ações.
De acordo com a Abrapp, a concentração em renda fixa reflete as condições de mercado e a busca por equilíbrio entre retorno, risco e compromissos de longo prazo dos planos previdenciários.
Superávits chegam a R$ 41,4 bilhões
Os dados do primeiro semestre também apontam melhora no equilíbrio financeiro dos planos. Em junho de 2026, 415 planos, vinculados a 136 entidades, apresentavam superávit acumulado de R$ 41,4 bilhões.
No mesmo período, 184 planos, de 84 entidades, registravam déficit de R$ 22,2 bilhões. O saldo positivo entre os dois resultados era de aproximadamente R$ 19,2 bilhões.
Em 2024, os superávits somavam R$ 21,6 bilhões, enquanto os déficits chegavam a R$ 30,5 bilhões. Em 2025, os valores passaram para R$ 38,3 bilhões em superávits e R$ 20,9 bilhões em déficits.
Outro indicador acompanhado pelo setor é o índice de solvência dos planos de Benefício Definido (BD), que atingiu 102% em junho de 2026, considerando a média ponderada dos planos.
Para o fechamento do ano, a Abrapp trabalha com três cenários de rentabilidade: 11,70%, 14% e 14,77%. Conforme as projeções, a diferença entre superávits e déficits pode variar de R$ 28 bilhões a R$ 37 bilhões.
Previdência complementar reúne 8,4 milhões de pessoas
A previdência complementar fechada reúne aproximadamente 8,4 milhões de pessoas, entre participantes ativos, dependentes e assistidos. Desse total, cerca de 3,27 milhões são participantes ativos, 4,21 milhões são dependentes e 873 mil são assistidos.
Entre os participantes ativos, 63,56% são homens e 36,44% são mulheres. A faixa etária de 35 a 54 anos concentra 57,15% dos participantes da amostra analisada.
A distribuição por modalidade também revela diferenças na composição dos planos. Os de Contribuição Definida (CD) representam 47% dos planos e da população atendida. Os de Benefício Definido (BD) correspondem a 25% dos planos e 22% da população, mas concentram 54% dos ativos. Já os planos de Contribuição Variável (CV) representam 28% dos planos, 31% da população e 30% dos ativos.
Em 2025, as entidades pagaram R$ 82 bilhões em benefícios. A aposentadoria programada teve valor médio mensal de R$ 8.261, enquanto a aposentadoria por invalidez registrou média de R$ 3.457. Para as pensões, o valor médio foi de R$ 4.438.
A Abrapp aponta a ampliação da cobertura previdenciária como um dos desafios do setor, especialmente diante das mudanças no mercado de trabalho e da necessidade de incorporar trabalhadores que ainda não contam com proteção adequada.
Congresso debate o futuro da previdência complementar
A Abrapp promoverá o 47º Congresso Brasileiro da Previdência Complementar (CBPP) entre os dias 21 e 23 de outubro de 2026, no Transamérica Expo Center, em São Paulo.
O evento reunirá especialistas, dirigentes, autoridades e representantes do setor para discutir temas como sustentabilidade, inovação, investimentos e ampliação da cobertura previdenciária.
A programação e as informações sobre credenciamento de imprensa estão disponíveis no site oficial do evento: cbpp.com.br.
https://paraibabusiness.com.br/fundos-de-pensao-podem-chegar-a-r-151-trilhao-em-ativos-em-2026/
